terça-feira, 28 de junho de 2011

NÃO ADULTERE A LITURGIA

Caro leitor / blogueiro.
Recebi um email com um conteúdo interessante. É de um sacerdote chamado Antonio Paes Júnior. Não o conheço porém, o mesmo Espírito nos orienta. Desta forma quis partilhar com você e com seu ministério de música. Boa formação

1. Reunião… muito bem. Ensaio… ótimo. E a oração juntos? E a adoração juntos? Se não rezam juntos, um CD seria melhor…

2. Cantores: às vezes, o silêncio é o melhor canto.

3. Cantores: o improviso é uma arma que o diabo tenta enfiar na Missa: distrai, tira a paz, irrita, causa brigas e ainda fica feio.

4. Seria bom que os cantos tivessem alguma relação ou com o Tempo Litúrgico que se vive, ou com os textos da Liturgia da Palavra do dia ou com o momento que se está na Missa.

5. Há uma diferença razoável entre banda (show, animação, bota pra quebrar) e ministério de música (celebração, adoração, corações ao alto).

6. O canto final é a última mensagem da Igreja para aquele povo que foi à Missa. Não pode ser considerado um mero “canto de dispersão da assembléia”.

7. Nunca é demais lembrar algumas orientações do Santo Padre São Pio X:

a música sacra deve possuir, em grau eminente, as qualidades próprias da liturgia, e nomeadamente a santidade e a delicadeza das formas, donde resulta espontaneamente outra característica, a universalidade.

Deve ser santa, e por isso excluir todo o profano não só em si mesma, mas também no modo como é desempenhada pelos executantes.

Deve ser arte verdadeira, não sendo possível que, doutra forma, exerça no ânimo dos ouvintes aquela eficácia que a Igreja se propõe obter ao admitir na sua liturgia a arte dos sons. Mas seja, ao mesmo tempo, universal no sentido de que, embora seja permitido a cada nação admitir nas composições religiosas aquelas formas particulares, que em certo modo constituem o caráter específico da sua música própria, estas devem ser de tal maneira subordinadas aos caracteres gerais da música sacra que ninguém doutra nação, ao ouvi-las, sinta uma impressão desagradável.

Estas qualidades se encontram em grau sumo no canto gregoriano, que é por conseqüência o canto próprio da Igreja Romana, o único que ela herdou dos antigos Padres, que conservou cuidadosamente no decurso dos séculos em seus códigos litúrgicos e que, como seu, propõe diretamente aos fiéis, o qual estudos recentíssimos restituíram à sua integridade e pureza.

Por tais motivos, o canto gregoriano foi sempre considerado como o modelo supremo da música sacra, podendo com razão estabelecer-se a seguinte lei geral: uma composição religiosa será tanto mais sacra e litúrgica quanto mais se aproxima no andamento, inspiração e sabor da melodia gregoriana, e será tanto menos digna do templo quanto mais se afastar daquele modelo supremo. (Peço licença para interromper o Santo Padre e fazer uma sugestão: os monges de Abadia da Ressurreição em Ponta Grossa tem um vasto material de Canto Gregoriano em português, por que não utilizá-lo para depois introduzir os cantos em latim?)

O canto gregoriano deverá, pois, restabelecer-se amplamente nas funções do culto, sendo certo que uma função eclesiástica nada perde da sua solenidade, mesmo quando não é acompanhada senão da música gregoriana.

Procure-se nomeadamente restabelecer o canto gregoriano no uso do povo, para que os fiéis tomem de novo parte mais ativa nos ofícios litúrgicos, como se fazia antigamente.

A Igreja tem reconhecido e favorecido sempre o progresso das artes, admitindo ao serviço do culto o que o gênio encontrou de bom e belo através dos séculos, salvas sempre as leis litúrgicas.Por isso é que a música mais moderna é também admitida na Igreja, visto que apresenta composições de tal qualidade, seriedade e gravidade que não são de forma alguma indigna das funções litúrgicas.

Todavia, como a música moderna foi inventada principalmente para uso profano, deverá vigiar-se com maior cuidado por que as composições musicais de estilo moderno, que se admitem na Igreja, não tenham coisa alguma de profana, não tenham reminiscências de motivos teatrais, e não sejam compostas, mesmo nas suas formas externas, sobre o andamento das composições profanas. (S. Pio X. Motu próprio TRA LE SOLLICITUDE)

8. Sei que alguém poderia dizer: Mas esse negócio de canto gregoriano é de antes do Concílio, o Papa São Pio X é do início do século XX… Hoje, depois do Concílio as coisas tem que ser novas. Por isso: “A Igreja reconhece como canto próprio da liturgia romana o canto gregoriano; terá este, por isso, na acção litúrgica, em igualdade de circunstâncias, o primeiro lugar.” (Sacrossanctum Concilium, n. 116)

9. Penso ser bom recordar que profano aqui não quer dizer pecaminoso, mas fora do uso litúrgico. Dou um exemplo: Eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras não sei dizer… Não é uma música pecaminosa, mas profana. Fala da beleza do amor humano e outros valores muito elevados, mas não serve para a liturgia, mesmo que se diga que se está cantando para Jesus…

10. Por isso Rock, Baião, Sertanejo Universitário, Samba e outros modos musicais não podem ser utilizados na liturgia. Então, os instrumentistas tomem muito cuidado para não darem um “ar” de rock ou outros estilos musicais as músicas litúrgicas. Especialmente aquelas mais tradicionais.

11. É certo que alguns pensam que a introdução de ritmos profanos na liturgia pode atrair mais pessoas para a Igreja, seria bom recordar aqui o nosso atual Papa: “Diria que uma Igreja que procura sobretudo ser atraente já estaria num caminho errado, porque a Igreja não trabalha para si, não trabalha para aumentar os próprios números e, assim, o próprio poder.” (Bento XVI em entrevista durante a viagem para a Inglaterra. 16 de setembro de 2010).

12. Não se trata de querer as Igrejas vazias. A Igreja deve ser diferente, e os seus cantos também. E é essa diferença (que não é esquisitice) que atrai.

13. Termino com um pensamento otimista: O NOSSO POVO É CAPAZ. Não nivelemos por baixo! Não tratemos o nosso povo como pessoas ignorantes! Ensinemos com paciência, constantemente, e veremos ressurgir o que se destruiu por falta de compreensão do que ensina a Igreja.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Bento XVI: priorizar os que se afastaram da Igreja

 
CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 13 de junho de 2011 (ZENIT.org) - O desafio de hoje da Igreja, em particular nos países de antigas raízes cristãs, consiste em mostrar a beleza do cristianismo para aqueles que o consideram um obstáculo para alcançar a felicidade, considera Bento XVI.
Por esse motivo, o Papa explicou – na tarde desta segunda-feira, ao participar de um congresso eclesial da diocese de Roma – que buscar a proximidade dos que se afastaram da fé converteu-se em algo “mais urgente que nunca”.
Falando na basílica de São João de Latrão, que estava lotada, o pontífice explicou que a Igreja precisa lançar “uma nova evangelização dirigida a quem, apesar de já ter escutado falar da fé, deixou de apreciar a beleza do cristianismo, ou ainda mais, em ocasiões, consideram-no inclusive um obstáculo para alcançar a felicidade”.
Por isso, explicou que hoje a Igreja deve deixar esta mensagem: “A felicidade que vocês buscam, a felicidade que vocês têm o direito de vivenciar, ela tem um nome, um rosto: o de Jesus de Nazaré, escondido na Eucaristia”.
Na catedral de Roma, o Santo Padre centrou sua intervenção no tema do congresso eclesial: “A iniciação cristã”, ou seja, o caminho que uma pessoa segue para entrar na Igreja e empreender a vida cristã.
O Papa apresentou como proposta algumas palavras que numa ocasião lhe tinha escrito pessoalmente Hans Urs von Balthasar (1905-1988), um dos maiores teólogos do século XX, que dizia: “A fé não deve ser pressuposta, mas proposta”.
“Por si só, a fé não se conserva no mundo, não se transmite automaticamente ao coração do homem; ela deve ser sempre anunciada. O anúncio da fé, por sua vez, para que seja eficaz, deve começar por um coração que crê, que tem esperança, que ama, um coração que adora a Cristo e crê na força do Espírito Santo”, disse.
Segundo o pontífice, “os homens se esquecem de Deus também porque com frequência a pessoa de Jesus é reduzida a um homem sábio e se debilita ou inclusive se nega a divindade”.
“Esta maneira de pensar impede a compreensão da novidade radical do cristianismo, pois se Jesus não é o Filho único do Pai, então tampouco Deus veio visitar a história do homem. Pelo contrário, a encarnação forma parte do próprio coração do Evangelho”, afirmou.
Portanto, alentou “o compromisso por uma renovada estação de evangelização, que não é só tarefa de alguns, mas de todos os membros da Igreja. Nesta hora da história, não é esta talvez a missão que o Senhor nos encomenda: anunciar a novidade do Evangelho, como Pedro e Paulo, quando chegaram a nossa cidade?”, perguntou aos presentes, párocos, catequistas, membros dos conselhos paroquias da Cidade Eterna.
“Há adultos que não receberam o Batismo, ou que se afastaram da fé da Igreja. É uma atenção hoje mais urgente que nunca, que pede que nos comprometamos com confiança, apoiados pela certeza de que a graça de Deus sempre atua no coração do homem”, disse.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Igreja sempre foi una, santa, católica e apostólica

Afirma Papa na homilia de Pentecostes, na Basílica de São Pedro
CIDADE DO VATICANO, domingo, 12 de junho de 2011 (ZENIT.org) – A Igreja é católica desde o primeiro momento de sua existência, isso não foi uma modificação posterior, fruto da história, mas faz parte do seu ser original.
Assim afirmou hoje o Papa Bento XVI, durante a homilia na Missa solene de Pentecostes, celebrada na Basílica de São Pedro.
O Pontífice comentou, uma a uma, as leituras da liturgia do dia e quis insistir em como, na passagem dos Atos dos Apóstolos que narra a vinda do Espírito Santo, já estava presente a Igreja universal, como a conhecemos hoje.
Este é o significado profético do fato de que os discípulos tenham começado a falar em várias línguas e fossem entendidos pelos peregrinos que estavam em Jerusalém, vindos de todo o mundo conhecido até então.
“Desde o primeiro instante, de fato, o Espírito Santo a criou como Igreja de todos os povos; esta abraça o mundo inteiro, supera todas as fronteiras de etnia, classe, nação; abate todas as barreiras e une os homens na profissão do Deus uno e trino”, afirmou o Santo Padre.
“Desde o começo, a Igreja é una, santa, católica e apostólica: esta é a sua verdadeira natureza e como tal deve ser reconhecida”, acrescentou.
A Igreja, portanto, “não procede da vontade humana, da reflexão, da habilidade do homem e da sua capacidade organizativa, pois, se fosse assim, já teria se extinguido há muito tempo, como acontece com tudo o que é humano”, afirmou.
Também é santa, “não graças à capacidade dos seus membros, mas porque o próprio Deus, com seu Espírito, a cria, purifica e santifica sempre”.
Novo pacto
O Papa destacou que a festa de Pentecostes era originalmente judaica e que nela, cinquenta dias depois da Páscoa, Israel celebrava a Aliança estabelecida com ele por Deus no monte Sinai.
“As imagens do vento e do fogo, usadas por São Lucas para representar a vinda do Espírito Santo, recordam o Sinai, onde Deus havia se revelado ao povo de Israel e lhe havia concedido sua aliança”, explicou.
Assim, o acontecimento de Pentecostes “é representado como um novo Sinai, como o dom de um novo pacto no qual a aliança com Israel se estende a todos os povos da terra, no qual caem todos os muros da velha Lei e aparece o seu coração mais santo e imutável, isto é, o amor, que o Espírito Santo comunica e difunde, o amor que abraça tudo”.
Ao mesmo tempo, a Lei “se dilata, se abre, tornando-se ainda mais simples”: é o novo pacto, que o Espírito “escreve” nos corações dos que creem em Cristo.
Com isso, afirmou, “nos é dito algo muito importante: que a Igreja é católica desde o primeiro momento, que sua universalidade não é fruto da inclusão sucessiva de comunidades diversas”.
Comunhão
O Espírito Santo é também quem cria a comunhão dentro da própria Igreja, explicou Bento XVI.
Deixar-se iluminar profundamente pela revelação de que Jesus é Deus “é o acontecimento de Pentecostes: da desordem de Babel, dessas vozes que ressoam uma conta a outra, tem lugar uma transformação radical: a multiplicidade se torna unidade multiforme; do poder unificador da Verdade cresce a compreensão”.
“No Credo que nos une de todos os extremos da terra, que, mediante o Espírito Santo, faz que nos compreendamos ainda na diversidade das línguas, através da fé, da esperança e do amor, forma-se a nova comunidade da Igreja de Deus”, concluiu.